2026 vai mudar a forma de criar conteúdo — e não é por causa da IA
Em 2026, criar conteúdo deixa de ser sobre técnica e passa a ser sobre curadoria, profundidade e conexão humana. Entenda o que realmente muda.
FUTURO DO MARKETING E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Thalles Diamantino
1/19/20262 min read


Quando tudo pode ser criado, o valor passa a estar em escolher.
"Nunca foi tão fácil criar conteúdo, e nunca foi tão difícil fazer algo importar"
Imagens perfeitas, vozes sintéticas, textos bem escritos, vídeos esteticamente impecáveis — tudo isso deixou de ser exceção. Em 2026, será o padrão.
Como aponta a análise recente da Brainstorm Academy, a inteligência artificial generativa está caminhando rapidamente para se tornar indistinguível da realidade. E quando todos conseguem fazer, a técnica deixa de diferenciar.
O jogo muda.
A IA deixa de ser espetáculo e vira infraestrutura
Assim como a internet, o computador ou a câmera, a IA passa a ocupar o lugar de base — não de destaque.
Saber usar inteligência artificial:
não será vantagem
não será diferencial
será o mínimo esperado
O verdadeiro diferencial estará em:
o que você pede
o que você aceita
o que você rejeita
Criar passa a ser menos sobre executar e mais sobre editar, filtrar e decidir.
O novo papel do criador: editor, não operador
Em 2026, o criador que apenas executa será substituível, enquanto que o criador que escolhe, não.
Escolher:
o que vale ser dito
o que merece existir
o que precisa ser aprofundado
o que deve ser descartado
Isso é curadoria.
E curadoria se torna a principal disputa do mercado criativo.
A ilusão de que a IA cria identidade
Existe um erro comum crescendo junto com a IA:
acreditar que ela cria visão, repertório ou identidade.
Mas ela não cria.
A IA replica padrões, organiza estatísticas e acelera processos. Mas:
não cria ponto de vista
não cria tensão narrativa
não cria verdade
Como o próprio vídeo destaca:
a IA amplifica quem você já é.
E em 2026, isso ficará evidente.
O esgotamento do plástico e o retorno ao real
Com o avanço da artificialidade, surge um movimento oposto inevitável:
a busca pela realidade.
As pessoas:
rejeitam a perfeição
se cansam do genérico
buscam contexto
querem processo
valorizam bastidores
Não por acaso:
conteúdos documentais cresceram 44% em oferta
65% do público diz preferir esse formato
O conteúdo do futuro:
não é menos bonito
é menos plástico
menos performático
mais íntegro
mais humano
Menos viral, mais hábito
Outro ponto central:
viralizar não sustenta mais ninguém sozinho.
O novo jogo é:
criar recorrência
gerar retorno
construir hábito
Alcançar milhões uma vez não vale tanto quanto:
fazer alguém voltar
criar expectativa
construir continuidade
Em 2026, hábito vence viralização.
Profundidade como estratégia
Conteúdos de: "Três dicas", "Um hack", "Um passo a passo genérico"
Já não prende atenção. O público que fica quer:
densidade
reflexão
conversas que façam pensar
narrativas com camadas
Menos dopamina barata e mais profundidade real.
Conclusão: o que sobra quando tudo é possível
Depois de toda tecnologia, ferramentas e aceleração, sobra o que sempre sobrou:
emoção
sensibilidade
verdade
experiência humana
2026 não será sobre criar mais, será sobre criar com intenção.
E isso não pode ser automatizado.
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