Do Clique ao Agente: o que esperar dos novos intermediários de decisão no marketing digital

Entenda o que são Agentic Commerce, Brand Agents e agentes de IA, como eles mudam o comportamento de compra e o que marcas e profissionais precisam fazer para serem compreendidos e recomendados pelas inteligências artificiais.

TRÁFEGO IAFUTURO DO MARKETING E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Thalles Diamantino

2/16/20265 min read

Do Clique ao Agente: A Transição para a Era da Recomendação Assistida

Durante anos, o marketing digital foi estruturado sobre um pressuposto simples e aparentemente inabalável: o humano decide, o clique confirma. Esse modelo sustentou impérios de anúncios, estratégias de SEO, dinâmicas de redes sociais e funis de venda inteiros. No entanto, esse alicerce começa a se romper de forma silenciosa, mas definitiva.

Nos últimos meses, um novo ator entrou na jornada de compra: os agentes de inteligência artificial. Eles não são apenas ferramentas de busca; são sistemas capazes de interpretar, decidir e agir. Eles já não se limitam a mostrar opções; eles filtram, recomendam, escolhem e, em um número crescente de casos, executam a compra.

Este artigo nasce para responder a uma pergunta central: o que são esses novos “agentes” e o que marcas e profissionais devem esperar — e, acima de tudo, fazer — diante dessa nova realidade?

1. O Fim do Clique como Centro da Decisão

Antes de falarmos sobre os agentes, é preciso compreender a mudança na base do comportamento digital. Cada vez mais, os usuários deixam de navegar por listas de links para perguntar diretamente a assistentes de IA. Eles recebem respostas prontas e tomam decisões sem jamais pisar em um site ou clicar em um anúncio tradicional.

Isso não significa o fim do site, mas sim uma mudança radical em sua função. O site deixa de ser o destino final do clique para se tornar a infraestrutura de dados, o sinal de autoridade e a referência semântica para os sistemas de IA. É nesse cenário que surgem novos conceitos, não como modismos, mas como a necessidade de nomear um fenômeno que já está transformando o mercado.

2. Agentes de IA: O Novo Intermediário Invisível

Diferente dos chatbots tradicionais, que apenas respondem perguntas com base em roteiros pré-definidos, os Agentes de IA possuem capacidade de "agência". Eles são sistemas que interpretam uma intenção, buscam informações em múltiplas fontes, comparam alternativas e entregam uma decisão ou recomendação coerente.

Eles funcionam como consultores, curadores e decisores assistidos. Para marcas e profissionais, a lição é clara: a IA não recomenda quem grita mais; ela recomenda quem ela compreende melhor. O que é ambíguo, confuso ou inconsistente é sumariamente ignorado. Os agentes favorecem a clareza, a consistência e a autoridade reconhecível.

3. Agentic Commerce: Quando a IA Não Só Recomenda, Mas Age

O Agentic Commerce (Comércio Agêntico) é o modelo onde a IA recebe uma meta e executa a jornada de compra do início ao fim. O usuário não escolhe produto por produto; ele define um objetivo. Por exemplo: "Quero um curso confiável sobre estratégias de IA que não prometa atalhos".

O agente, então, avalia fontes, cruza reputações, elimina opções frágeis e recomenda — ou executa — a escolha. Para o consumidor, isso significa menos fricção e fadiga de decisão. Para as marcas, significa menos controle direto sobre o funil e uma dependência absoluta da reputação e autoridade semântica. No Comércio Agêntico, o anúncio perde o protagonismo para a confiança algorítmica.

4. Brand Agents: A Extensão da Identidade da Marca

Os Brand Agents surgem como a resposta das marcas a esse novo cenário. São agentes de IA treinados para representar uma empresa, mantendo seu tom de voz, valores e conhecimento profundo do catálogo. Eles não são apenas atendimento automático; são extensões da identidade da marca no ambiente conversacional.

Mesmo que você ainda não tenha um Brand Agent técnico, sua marca já está sendo interpretada e representada por IAs genéricas. A pergunta estratégica que a Diamantino Estratégias propõe é: "Se uma IA tivesse que explicar sua marca em 30 segundos, o que ela diria?". Os Brand Agents apenas tornam explícito o que já acontece de forma implícita em toda a rede.

5. O Núcleo Comum: A Decisão Mediada

Agentes de IA, Agentic Commerce e Brand Agents compartilham o mesmo núcleo: a decisão deixou de ser puramente humana para ser mediada por sistemas inteligentes. Nesse novo ecossistema:

  • Visibilidade não garante escolha.

  • Tráfego não garante recomendação.

  • Volume não garante relevância.

O que realmente pesa é a profundidade da sua autoridade e a coerência dos sinais que você emite para a "Camada Invisível".

6. O Que Fazer Agora: Construindo a Legibilidade

Não é necessário, neste momento, correr para criar integrações complexas. O passo inicial é estrutural: construir clareza. Isso envolve definir com precisão quem você é e o que faz, eliminando ambiguidades e construindo uma autoridade consistente em todos os pontos de contato digital.

Conteúdo bem estruturado, narrativas claras e sinais de confiança reais são o "alimento" dos agentes. É nesse terreno que eles aprendem a confiar em você.

Glossário Estratégico do Novo Comércio Digital

Para facilitar a compreensão desta nova arquitetura, organizamos os principais conceitos que estão redefinindo o mercado:

Termo

Agentic Commerce

AI Agents

Brand Agents

UCP / ACP

Agentic Checkout

A2A Economy

Definição

Modelo onde IAs executam compras completas com autonomia.

Software com capacidade de agir e decidir proativamente.

IAs treinadas para representar a voz e o catálogo de uma marca.

Protocolos técnicos (Universal/Agentic Commerce Protocol).

Fluxos de pagamento realizados dentro da interface da IA.

Economia de Agente para Agente (Agent-to-Agent).

Função Estratégica

Reduzir a fricção e delegar a decisão de compra.

Atuar como "compradores digitais" ou curadores de decisão.

Garantir a identidade da marca em ambientes conversacionais.

Criar uma linguagem comum para transações seguras via IA.

Concluir a venda sem a necessidade de redirecionar para o site.

Ecossistema onde IAs negociam e transacionam entre si.

Glossário Estratégico do Novo Comércio Digital

Para facilitar a compreensão desta nova arquitetura, organizamos os principais conceitos que estão redefinindo o mercado:


Termo


Agentic Commerce






AI Agents






Brand Agents





UCP / ACP







Agentic Checkout




A2A Economy


Definição

Modelo onde IAs executam compras completas com autonomia.

Software com capacidade de agir e decidir proativamente.


IAs treinadas para representar a voz e o catálogo de uma marca.

Protocolos técnicos (Universal/ Agentic Commerce Protocol).

Fluxos de pagamento realizados dentro da interface da IA.

Economia de Agente para Agente (Agent-to-Agent).

Função Estratégica

Reduzir a fricção e delegar a decisão de compra.

Atuar como "compradores digitais" ou curadores de decisão.

Garantir a identidade da marca em ambientes conversacionais

Criar uma linguagem comum para transações seguras via IA.


Concluir a venda sem a necessidade
de redirecionar para o site.

Ecossistema onde IAs negociam e transacionam entre si.

Este mapa conceitual reforça que o foco saiu do clique e entrou na recomendação e execução algorítmica. O papel dos sites e funis tradicionais foi reconfigurado: eles agora alimentam o sistema que, por sua vez, sustenta a decisão.

Conclusão: O Fim do Marketing Baseado em Cliques

Os novos agentes não substituem o marketing; eles revelam suas fragilidades. Eles não escolhem o mais barulhento, mas o mais compreensível. Estamos vivendo o fim da era onde bastava ser visto. No novo cenário, ser entendido vale mais do que ser visto.

A transição do clique ao agente é, acima de tudo, um convite ao amadurecimento digital. É o início de um sistema onde a autoridade sustentada e a clareza estratégica são os únicos caminhos para permanecer relevante na resposta da IA.