O tráfego do Google caiu 33% globalmente em um ano. O que fazer com os clientes que você está perdendo sem saber?
O tráfego orgânico do Google para sites caiu 33% globalmente entre novembro de 2024 e novembro de 2025. Entenda por que isso está acontecendo, quem está capturando esse tráfego e o que sua empresa pode fazer.
SEO, GEO E AEO
Thalles Diamantino
5/8/20263 min read


33% em um ano, esse número tem nome
O tráfego do Google para sites externos caiu 33% globalmente entre novembro de 2024 e novembro de 2025, segundo a Press Gazette. Nos EUA, a queda foi ainda mais acentuada, para publishers de notícias, que dependiam de tráfego orgânico como modelo de negócio, a projeção é de 43% de queda até 2029.
Esse número não é uma anomalia de curto prazo nem um efeito de uma atualização de algoritmo, é o resultado de uma mudança estrutural no comportamento de busca que está acontecendo há dois anos e que só vai acelerar. O Google continua com 86% de market share em busca, mas o que as pessoas fazem depois de buscar está mudando. Em vez de clicar, elas leem a resposta que o AI Overview entregou e vão embora.
Para onde foi esse tráfego?
Existe uma crença confortável que circula nos debates de SEO: o tráfego perdido no Google está simplesmente evaporando. Que as pessoas buscam, recebem a resposta da IA e não precisam de mais nada. Isso é parcialmente verdade mas esconde a parte mais estratégica da história.
O tráfego de alta intenção não evaporou, ele se redistribuiu. Quem está dentro do contêiner de AI Overview do Google, quem é citado pelo ChatGPT quando alguém pergunta sobre seu setor, quem aparece nas respostas do Perplexity, essas empresas não perderam tráfego. Elas ganharam visitantes com intenção de compra mais alta do que nunca, porque chegam com a decisão quase tomada.
O tráfego que evaporou foi o de baixa intenção: aquele clique de curiosidade, aquela pesquisa genérica sem objetivo claro (tráfego esse que nunca foi bom para o negócio de qualquer forma). O que resta, e o que cresceu, é o visitante que chegou porque uma IA disse o seu nome.
O papel do SEO nesse novo cenário
SEO não morreu. Quem diz isso está confundindo "SEO tradicional como estava sendo praticado" com "SEO como fundação necessária". São coisas diferentes.
O dado que prova isso é o seguinte: 99% das citações em AI Overviews vêm do top 10 orgânico do Google, segundo levantamento de 2025. 87% das citações do ChatGPT correspondem aos principais resultados do Bing. Isso significa que, sem SEO sólido, GEO não funciona, pois a IA cita fontes com autoridade de busca estabelecida.
O que mudou não é a importância do SEO, é o que o SEO precisa fazer. Antes, o objetivo era aparecer na lista. Agora, o objetivo é aparecer na lista + ter o conteúdo estruturado de forma que as IAs possam extrair, sintetizar e citar. São objetivos complementares, não concorrentes.
O que empresas estão fazendo e o que você ainda pode fazer?
A maioria das empresas está reagindo à queda de tráfego com as ferramentas de sempre: mais conteúdo, mais backlinks, mais otimização técnica de SEO. Essas ações ainda têm valor mas sem a camada de GEO e AEO por cima, estão cada vez menos suficientes.
O que as empresas que estão crescendo em tráfego de qualidade estão fazendo é diferente: estão construindo entidade digital. Garantindo que a IA sabe exatamente quem elas são. Publicando conteúdo com Fact Density alta, estruturando FAQ com as perguntas que seus clientes fazem às IAs, implementando Schema Markup para que os sistemas possam ler sem ambiguidade.
Essas ações não eliminam a queda de 33% no tráfego tradicional, o que elas fazem é garantir que a empresa está dentro dos 16% de marcas que aparecem nas respostas das IAs e que os visitantes que chegam por esse canal convertem 4,4 vezes mais do que os do Google orgânico.
A pergunta certa diante desse número
A reação instintiva à queda de 33% é "como recupero esse tráfego?" Todavia, essa é a pergunta errada. Esse tráfego não volta, não da forma que era. A estrutura do ambiente de busca mudou de forma irreversível no curto prazo.
A pergunta certa é outra: "quem está capturando a atenção de alta qualidade que o Google perdeu?" A resposta é: as IAs. E quem está dentro das respostas que essas IAs dão está capturando visitantes com intenção de compra que o SEO tradicional nunca conseguiu filtrar com tanta precisão.
A queda de 33% do Google não é o fim do tráfego orgânico, é o início de uma redistribuição. E toda redistribuição cria perdedores e cria ganhadores. A diferença entre os dois é quem entendeu o novo jogo antes.
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